Os Filhos de Beibe e seus Companheiros de Riso

Uns dizem que ela-pé-quebrado, sentou na janela e viu a banda passar. A banda, a bunda, os braços, os beijos perdidos de um carnaval distante. Dizem também que quis entrar numa festa-de-sabão, suas amigas impediram. Ainda contam que desmaiou quando o desdentado sorriu pra ela no meio da praça, foi parar no pronto-socorro, amônia no nariz e glicose na veia. Contam que a vaquinha perambulou por castos pastos até cansar de ruminar. Relatos confiáveis informam que albaneses sequestraram os vídeos das festas da Mariozim e cobram fortuna em euros como resgate. Quiseram tirar fotos, ninguém sabe, ninguém viu.

Uns dizem que ele namorou todas as meninas de Perequê, até hoje é cabra procurado na cidade, não passa nem pela estrada. Dizem também que ele chegou vestido de hipopótamo faltando uma orelha, fala arrastada, e não sabe onde deixou ficar um pedaço de si. Ainda contam que ele bebia xiboquinha nas barracas da feira, insistia para provarem, não havia drink igual. Contam que ele saiu revoltado da concentração da Escola e foi sambar em outra avenida com lata de cerveja na mão. Relatos confiáveis informam que faz parte das perguntas de formulários de seguros: se ele está presente, o seguro sai mais caro. Quiseram tirar fotos, ninguém sabe, ninguém viu.

Uns dizem que ele abraçava todos os postes pelo caminho. Não se sabe se era amor ou bebedeira. Dizem também que ele foi arrastado pelo veleiro, em ventos de calmaria, mas pediu pelamordedeus para parar porque a sunga ficou para trás. Ainda contam que ele fez um pacto do “ninguémronca” e não houve guerreiro corajoso para denunciar. Contam que eram três rapazes elegantes, com três meninas: uma não gostava de carnaval, outra não gostava de namorar e outra se chamava Rodrigão. Estão correndo delas até hoje. Relatos confiáveis informam que o leão do blurps e arghs desmaiou em um banco de praça depois de esmurrar a porta de um quarto de hotel e não saber onde estava hospedado. Quiseram tirar fotos, ninguém sabe, ninguém viu.

Uns dizem que ele abriu o bote inflável na sala e toda a areia de Mambucaba estava lá dentro. A faxineira olhou praquilo, pediu as contas e foi trabalhar em outra freguesia. Dizem também que ele vendeu o mesmo barco para os velhinhos do asilo inúmeras vezes. Ainda contam que parou o barco na praia ao lado, ficou inebriado com tanta gente feia e passou mal durante dias. Contam que eram três rapazes elegantes, com três meninas: uma não gostava de carnaval, outra não gostava de namorar e outra se chamava Rodrigão. Estão escondidos delas até hoje. Relatos confiáveis informam que ele deixou a vassoura na mão do irmão e se arrancou da casa antes da faxina geral. O irmão tentou levantar voo, mas era uma vassoura sem poderes. Quiseram tirar fotos, ninguém sabe, ninguém viu.

Uns dizem que ele pegou o isopor cheio de cerveja da festa que não aconteceu e levou para a mansão dos pobres. Ainda procuram pela bebida, o isopor ele guardou na garagem. Dizem também que ele chegou com moça de boa família, do tamanho dele, trazendo uma rede da vizinha, pendurou na parede e ficou lá com elas, a moça, a rede e a vizinha, por dias a fio. Ainda contam que, vestido de elefante, deu um urro monumental e expulsou os filisteus do ônibus cheio das suas meninas. Contam que eram três rapazes elegantes, com três meninas: uma não gostava de carnaval, outra não gostava de namorar e outra se chamava Rodrigão. Estão fugindo delas até hoje. Relatos confiáveis informam que ele dirigia na contramão da estrada, propositalmente, só sairia se aparecesse carro. Quiseram tirar fotos, ninguém sabe, ninguém viu.

Uns dizem que a narradora era uma espiã infiltrada. Dizem também que ela mantinha diários secretos. Ainda contam que existem fotos comprometedoras escondidas num bunker em serras fluminenses. Contam que ela decidiu fazer um filme com os vídeos resgatados dos albaneses. Relatos confiáveis informam que ela começou em Laranjeiras e não parou de dançar até hoje. Quiseram tirar fotos, ninguém sabe, ninguém viu.

MPV – janeiro 2009

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