15 Filmes

Tudo começou há mais de duas horas: meu primo fez uma brincadeira, em que quem quisesse tinha que escrever em quinze minutos os quinze filmes que passassem pela cabeça e tocassem o coração. Ora, falou em filme, foi só olhar para dentro e começar a digitar, mas como eu tinha que obedecer quantidade (que acabei desobedecendo) e tempo, parei antes, muito antes de chegar ao fim e a lista ficou assim:

1- Another woman – Woody Allen

2- Alice – Woody Allen

3- Annie Hall – Woody Allen

4- Vidas secas – Nelson Pereira dos Santos

5- Blade Runner – Ridley Scott

6- Wild at heart – David Lynch

7- A trilogia das cores – Krzysztof Kielowski (são 3, mas conto como 1!)

8- Blow up – Michelangelo Antonioni

9- An american in Paris – Vincent Minelli

10- Moulin Rouge – Baz Luhrman

11- Closer – Mike Nichols

12- Eternal sunshine of spotless mind – Michel Gondry

13- Breakfast at Tiffanys – Blake Edwards

14- Sex, lies and videotape – Steven Soderbergh

15- Como era gostoso meu francês – Nelson Pereira dos Santos

Ficam faltando em meus 15 minutos, mas excedendo a quantidade: Cidadão Kane, Orson Welles; Tempos Modernos, Charles Chaplin; A mulher do lado e Fahrenheit 451, François Truffaut; desenhos do Tom e Jerry; e… acabou meu tempo.

Ainda acrescentei a observação acima, tipo quando a gente tá acabando a prova e o professor já se encaminha para recolher o papel e a gente se levanta, tentando escrever o ponto final.

Publiquei a minha lista corrida e sentei para terminar uma leitura precisada de término breve. Na verdade, sentei não, deitei mesmo no chão, porque minha coluna anda de ombro caído e no chão estava mais confortável. Fiquei bem entretida na leitura, tempo, tempo, tempo, tenho que terminar, mas fui surpreendida pelo sobrevoo rancoroso de um dvd. O bicho saiu da estante e voava por cima de mim, dava rasantes perigosos em direção aos meus olhos, Shee começou a latir, assustada com o ataque camicase, os cachorros vizinhos fizeram coro, foi aquele pandemônio, até que consegui me levantar e agarrar a caixa ameaçadora: Era Asas do Desejo de Wim Wenders, que ouviu aquele tititi na estante, quem entrou na lista, quem ficou de fora, espichou o olho e leu sobre meu ombro a lista publicada e não se conformou com o esquecimento, logo ele, logo ele, logo ele! Tradução feiosa de excelente título original – Der Himmel ünder Berlin – assistido no Cinema 1, na Prado Júnior, anos atrás. Não adiantou pedir desculpas, virou a capa ao contrário, xingou nomes que não entendi (era em alemão), ameaçou travar o aparelho se eu tentasse colocá-lo para rodar. Não me passou pela cabeça que o irmão de Paris, Texas, Lisbon story, Buena Vista, entre outros pudesse ser tão violentamente ciumento. Foi sossegando quando prometi sentar e escrever sobre o episódio, mas tão logo me esparramei no chão para terminar primeiro a leitura urgente, saiu da estante resmungando que eu era mulher sem palavra, não podia confiar. Não tive opção: Sentei em frente ao computador e escrevi o mais rápido que pude, Asas de olho em mim, eu virando a cabeça e fazendo sinal com a mão de que já estou chegando ao fim e ele, capa ainda virada, à espera que se cumpra o desagravo.

Comente aqui

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s