Bola

Sou Flamengo, como meu tio amado. Eu sei que nem todo mundo vai concordar comigo, mas a escolha do time de futebol para o qual vamos torcer não é democrática dentro de uma família. Aqui nos Veiga, só o meu avô era América, mesmo assim, tendencioso para a alegria do filho. A-do-ro uma bola de futebol. Corro atrás dela, dou dribles, rosno para ela e roo mesmo. Talvez, por isso, só ganho bola já furada e as boas ficam, estrategicamente, fora de meu alcance. Mesmo assim, eu apronto as minhas…

Em um Natal, meu primo querido ganhou a bola oficial da Copa na África, linda, linda, brilhante de tão nova. Ah, todo mundo sabe como é Natal né? Aqui, na minha família, é aquela confusão, todo mundo falando ao mesmo tempo, uns chegando, outros saindo e eu não resisti: não tinha ninguém prestando atenção em mim e arranquei uns nacos bem arrancados da bola nova. Quando perceberam foi aquele auê. Meu tio jurou que ia me atirar pela janela (do terceiro andar…), mas a bronca dele passou rápido porque meu avô, maravilhoso como só ele, disse que era Natal, não era para ter briga e era para comprar outra no dia seguinte e trocar a roída pela nova antes que meu primo percebesse.

E assim foi feito, mamy comprou a bola, fez a troca, meu tio levou a roída para o escritório e essa história não estaria sendo contada aqui se meu primo não tivesse visto a roída, algum tempo depois, no escritório do pai. Achou graça, porque ele, além de um primo maravilhoso é um rapaz bacana, daqueles de bom coração (ai, na verdade ele é lindo de morrer).

Quando mamy descobriu que essa bola da foto estava furada, separou para me dar. O problema agora é que, como ela está velha, solta pedacinhos pela sala toda enquanto eu me divirto, jogando o meu futebol sozinha. O chão fica parecendo calçada nevada, tudo muito branquinho, bem bonito, mas a minha avó não fica nada satisfeita com a lambança. Agora esconderam a bola de mim e eu não sei mais o que fazer para gastar a minha dose extra de energia. Mamy prometeu que vai achar a bola, ou arrumar uma outra que não faça tanto estrago na limpeza.

Hoje resolvi contar um pouquinho mais das minhas estripolias porque a tia Veroniki, amiga de mamy, falou que adora ler o meu diário. Eu sei que ela torce para outro time, mas acho que ela vai gostar mesmo sabendo que eu sou Mengão.

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Um pensamento sobre “Bola

  1. Oi, lindinha! Realmente gosto muito do seu diário. Eu o li assim que foi postado. Mas como a tia é muito enrolada, só estou comentando agora. Me perdoa? Sobre você ser flamengo, tá tudo certo. Eu já fui um dia e entendo que haja uma pressão familiar pra algumas coisas. Bem… daqui fico torcendo pra a sua mãe arrumar logo uma bola pra você brincar, viu?
    Afagos no seu focinho.

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