O som de um carnaval distante

Digi (58)

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Ecos de um carnaval distante

1975 - Brasilia

é carnaval…

Cães e gatos

Sofia é a gatinha dos meus vizinhos. Fujona, a-do-ra tirar uma pestana na minha janela, no calor do quase sol.

Eu já estava para tirar essa foto há tempos, mas nunca era rápida o suficiente, ou estava escuro demais, ou eu estava na correria diária, dava tchau e ia embora.

Hoje consegui. Não posso dizer que ela foi das mais amorosas. Quando me aproximei de seu refúgio para tentar fazer uma foto mais de perto ela abriu a boca cheia de dentinhos afiados e fez como a mulher gato no filme do Batman. Bati a foto e em retirada rapidamente.

Quando cheguei em casa, Shee estava a minha espera e eu trazia um ossinho de presente para ela, que se comportou como uma cachorrinha educada em minha ausência.

Foi a deixa para ela começar a andar pela casa a procura de um lugar para enterrar ou esconder seu precioso tesouro. Gemeu, resmungou, só faltou reclamar do assoalho de madeira. Cadê a terra? Até que resolveu subir na poltrona do escritório e começou a cavá-la. Isso mesmo, cavou a poltrona do escritório sem muita convicção e lá esperou, parada, osso na boca, devia estar pensando o que fazer. Não resisti: saquei a foto ao lado – princesa osso na boca, poltrona azul real, livros ao fundo a espera da sabedoria canina…

“Ela late para mim todos os dias e eu fico aqui em cima só observando.”
“Deixa, que um dia ela desce…”

Shee já escolheu

Shee já escolheu o que vai ler no carnaval…

O Espelho do futuro

 

Conhecemos Mila, o espelho do futuro, uma dachs como eu, sete anos mais velha. Ela já foi da minha cor, agora está bem grisalha, se é que posso dizer assim de seu pelo quase branco. Vimo-nos através de grades, eu não lati, ela teve dificuldade para caminhar. O espelho do futuro, como minha dona falou. Eu mesma, nos últimos três anos, ganhei pelos brancos ao redor de meus olhos, em meu focinho. Deve ser o stress da cidade grande, pode ser somente o passar dos anos. Meu porte ainda altivo, enfrento outros cães, de qualquer tamanho, que latem para mim na rua. Eles não respeitam meus pelos brancos, lato de volta, ferozmente, para mostrar que só a cor está mudando, eu continuo a mesma: forte, impávida, um colosso!

Minha master resolveu sair atrás, bem atrás, de um bloco de carnaval e fomos andando de casa até a rua de mastervó. Subi o Corte com força e paramos algumas vezes para beber água. Uns gaiatos falaram para minha dona “tirar a fera da rua!” em uma referência clara a mim, acho que em tom de deboche. Nem foi comigo. Mas ela riu muito. Se eles insistissem, eu “garrava” na perna de um, só para mostrar com quantos dentes se faz uma mandíbula forte de um cão pequeno!
Bom, agora, depois da farra momesca, uma comidinha gostosa e um banho refrescante, um sono reparador que ainda faltam dois findis para o ano começar.