Talk to me

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#descobri-me careta. Será?

Fui à banca de jornais com o objetivo de comprar uma revista para meninas pré-adolescentes, entre 9 e 12 anos. Eu queria algo escrito em português, com assuntos para essa faixa etária, de preferência falando sobre o Brasil, seus ídolos, jeitos e vaidades. Quase tive um treco. Não existe.

Na realidade, o assunto que fez toda a diferença foi sexo e como ele é tratado em publicações para meninas. Enquanto eu buscava algo como “eu gosto de um garoto, o que faço para ele saber?” ou ” eu e minha melhor amiga gostamos do mesmo menino” ou ainda “ainda não dei meu primeiro beijo”, eu só encontrava dúvidas do gênero “perdi minha virgindade com 14 anos”, “quero transar com um garoto três anos mais velho”, “posso me masturbar sem perder a virgindade?” e por aí caminhava a meninada.

Fiquei realmente incomodada: então, minha sobrinha de 9 anos vai sair de Magali e Cebolinha para isso? Direto? Se ela quiser ler revistas com fotos de seus ídolos adolescentes, saber qual a cor de esmalte foi lançada, ver qual a bolsa da moda, ler sobre lançamentos de livros e filmes para ela, eu vou ter que arrancar a página sobre sexo? O que pergunto é: de 9 ela pula para 14 anos direto? Não há um termo do meio?

No meu entender, como ela vai ler sobre transas e camisinhas ANTES de ler sobre interesse, romance e beijo? Então na escola ela leria Henry Miller antes de Monteiro Lobato? Com a banca cheia de revistas, não existe uma só totalmente apropriada para seus anos pré-adolescentes?

Nunca fui careta, nem santa, mas cada coisa tem seu tempo, não? Acho que está faltando revista de menina para meninas do tempo dela.

Um dia especial

“Foi um dia memorável, pois operou grandes mudanças em mim. Mas isso se dá com qualquer vida. Imagine um dia especial na sua vida e pense como teria sido seu percurso sem ele. Faça uma pausa, você que está lendo, e pense na grande corrente de ferro, de ouro, de espinhos ou flores que jamais o teria prendido não fosse o encadeamento do primeiro elo em um dia memorável.”

Charles Dickens – Grandes Esperanças

 Li o Xexéu hoje. Não li o livro ao qual ele se refere no texto, nem vi o filme, que ainda não foi lançado, mas passei o dia todo tentando imaginar qual seria o meu dia especial. Aquela data que teria mudado tudo em minha vida. Não cheguei a nenhuma conclusão, mas cheguei a um número, o mesmo dia em meses e anos e séculos diferentes: Dia 18 de junho casei. 18 de outubro me apaixonei perdidamente. 18 de maio me reaproximei. 18 de abril ganhei um irmão. 18 de janeiro me formei. 18 de agosto separei. 18 de fevereiro pulei carnaval. 18 de dezembro pedi demissão. 18 de março comecei uma pós. 18 de setembro dancei até o sol raiar. 18 de julho foi o dia mais frio. 18 de novembro viajei. Em outro 18 de maio, Shee Marie nasceu. Em outro de junho, ganhei um relógio. No de fevereiro, vi o último fime com papai. Em abril, comecei a escrever. 18 de agosto nasceu minha irmã. 18 de janeiro acordei inebriada. 18 de junho pulei a fogueira. Em dezembro viajei para não voltar. 18 de setembro velejei em alto mar. 18 de outubro subi a serra. 18 de março recordei. Em julho, meus sobrinhos nasceram. 18 de novembro cozinhei para toda a família. E ainda, 18 de agosto namorei. 18 de janeiro caminhei na praia. 18 de outubro comemorei. 18 de abril fui à livraria. 18 de julho fui ao cinema. 18 de fevereiro jantei sozinha. 18 de dezembro ri até cair. 18 de junho pensei em estudar mais. 18 de setembro ouvi música. 18 de março, aula imperdível. 18 de novembro dirigi até o aeroporto. Foi em um 18 de julho que acordei. Em um 18 de setembro que revivi, um 18 de novembro me fez acreditar novamente, um 18 de janeiro planejei férias divertidas. Finalizando, no 18 de janeiro mergulhei em Ipanema, 18 de fevereiro assisti a um musical, 18 de março chorei de saudade, 18 de abril preparei documentos, 18 de maio encontrei amigos, 18 de junho ainda não chegou. Foram tantos 18, foram tantos dias especiais e em cada um deles eu disse sim para um caminho, sabendo que para o outro seria não. E cada sim dito traçou minha vida até aqui, até agora.

Feliz Ano Novo

Em 2011,

Para os distantes, presença;

Para os europeus, navios que atravessem o oceano;

Para os americanos, asas para os trópicos;

Para os que não vejo há muitos anos, encontros;

Para os que vi e perdi, reencontros;

Para os que perdi, saudades;

Para os que não entendem, compreensão;

Para as novas amizades, continuação;

Para os amigos, vida;

Para os zangados, gentileza;

Para os felizes, eternidade;

Para os sempre presentes, amor;

Para os com crianças, brincadeiras;

Para os com animais, cuidados;

Para a família, união;

Para cada um e todos, paz e saúde.

O assunto

Ninguém fala de outra coisa: o calor do Rio. Indescritível.

Maresia

Ai, esse cheiro de maresia que invade meu nariz sonolento, meus sonhos futuros, esse aroma de infância, de mergulhos no mar, de andanças na praia, de crescer e viver em uma cidade que aspira a maresia. Fecho os olhos, respiro e todo esse cheiro de maresia embalará meus sono, quisera eu mergulhar lá ali aqui pertinho agora.

MPV – junho 2009

Tô sem tempo… vontade de escrever aqui sobra, mas tempo que é bom… vou ali e já volto.