Não Reconheço

Não te reconheço em ti. Não te busco porque não te encontro. Não sei onde estás, onde fostes te esconder, como chegastes aí. Mais além, porque chegastes aí. Porque resolvestes fechar tanto a mão por amor. Fechastes mãos, boca, portas, janelas, compartilhar tuas dores nunca foi teu forte, mas tua concha, que aparenta estar aberta, está fechada para olhares mais atentos. É possível que mesmo tu não tenhas percebido as portas cerradas. Não reconheço teu amor assim distante de ti, longe dos teus, como a castigares a ti e aos teus, como se o modelo antigo tivesse te exaurido, como se o modelo novo te aprisionasse, como não houvesse saída, como se a essência houvesse mudado e a essência não muda, lembras? Tua essência sempre foi liberdade, sol, improviso e riso. Não encontro tua essência. Acreditas que o problema está nos outros, mas os outros são tantos e com os mesmos problemas que cabe a pergunta: O problema está só nos outros? Não reconheço teu amor assim distante de ti, longe dos teus, numa constante faxina material como se arrumar o exterior organizasse o interior. Não reconheço teu amor assim distante de ti, longe dos teus, como se não existisse uma imensa e larga escala de cores entre o preto o branco, entre a convergência total e a ausência de todas as cores. Não reconheço teu amor assim distante de ti, longe dos teus, aguardo. Dias melhores virão.

MPV – março 2009

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