O sorriso é o que importa

– O Sorriso é o que importa! disse-me Paulo, responsável pela barraca na areia de Copacabana, em frente à Hilário de Gouveia.

Depois da caminhada matinal, resolvi espiar o mar de perto, bem gelado àquela hora e Paulo se aproximou oferecendo uma cadeira. Agradeci, e falei que só queria dar um mergulho, perguntei se ele poderia olhar meus pertences e ele disse para eu colocá-los na barraca, ficava mais seguro.

Deixei tudo lá e me joguei naquele mar de correnteza forte, mergulhei e me embrulhei em ondas, até cansar e resolver sair. De volta à barraca, em pé, esperei secar, enquanto ouvia causos contados por Paulo. Eram estórias curiosas, engraçadas, sobre frequentadores, turistas torrados e outras gentes. Falou que era bom fisionomista, não esquecia cliente e bom com os números também, guarda tudo na cabeça. Ele contava e sorria mais que tudo. Quando me despedi e sorri de volta, ele disse: “O sorriso é o que importa!”

Amanhã, se não chover, voltarei.

Fernando Pessoa, A Felicidade exige valentia

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”

Menina na Estrada

O que te faz sorrir sem motivo, menina na estrada? Para onde voa teu pensamento nos momentos de pasmaceira, onde ele pousa, para onde viaja? Como pulas em um pé só, saltitas alegremente, sem dor no coração, como levas tamanha inocência em ti mesma, quando o vento balança teus cabelos na curva da rua, menina na estrada? O que olhas com tanto interesse no chão por aonde vais, o que te chama a atenção? Como imaginas o dia de amanhã, por que paras de repente, por que olhas sobre teu ombro, por que te assustas? E ainda, mesmo assustada, como prossegues em frente, menina na estrada? Como te sentes ao caminhar a rua de terra batida, em direção à loja de doces onde escolhes o brigadeiro macio, o sorves a pequenas mordidas, e deleita-te com o sabor único de primeira vez, menina na estrada? Como chegastes aí? Quantas cordas já pulastes, quantos desvios fizestes? Como consegues olhar pelos vidros da loja e enxergar sol lá fora, após tanta tempestade? O que te faz sorrir sem motivo, menina na estrada?

80 anos de Nelson

Espumante, espumante, espumante, água pra hidratar; salame italiano, bacalhau feito pelo anfitrião, polenta cortada na linha; risos; a dona da voz no cd, a dona da voz no almoço; foto posada, foto armada, foto-fofoca; risos; espumante, espumante, coca-cola; música anos 70, misturada a Cartola; vermelho no rosto pelo calor e o sol, que sol! o sol se pôs; risos; começa tudo de novo, espumante, coca-cola. Espumante, bacalhau, risos. Por que fui embora mesmo? Ah… a pilha duracell acabou…

Maresia

Eu cheguei em casa agora, janelas abertas do apê em Copa, cheiro total de maresia. Forte, irresistível aroma, perfume, cheiro de mar. Ai, mar! Outras eras fossem, outro momento, vestia meu biquíni e dava um mergulho nas ondas que chamam. Elas chamam. Com esse cheiro maravilhoso, o mar chama. Povoará meus sonhos por que estou aqui em cima, no décimo andar, louca para um mergulho. Ficará para depois.

Chuva

Fim da tarde, bunda quadrada, sentada em frente ao computador, chuva forte, de verão antecipado no Rio, lava tudo. Lava calçada e carro, lava árvore com sede, lava gente desprevenida, lava dor, lava a alma, lava o espírito carregado.

Fim da tarde, sentada em frente ao computador, chuva pára, fio de sol aparece no horizonte, sobre o concreto dos edifícios, ilumina. Ilumina calçada e carro, ilumina árvore satisfeita, ilumina gente molhada, ilumina dor, alma e espírito carregado.