Cão em casa

Minha prima me enviou e amei!

Aviso Para Quem Visitar A Minha Casa

Autor desconhecido

 

01 Seja sempre bem-vindo.

02 Lembre-se de que o meu cachorro vive aqui. Você não.

03 Se você não quer pelos de cachorro em suas roupas, fique em pé, longe do sofá.

04 Sim, o cachorro tem hábitos desagradáveis. Eu também, assim como você. E?

05 Claro que eles cheiram a cachorros. Já percebeu como nós, humanos, cheiramos ao final de um dia de trabalho? Coloque-se no lugar de alguém que tem um olfato 400 vezes mais sensível que o seu mas, mesmo assim, sempre o receberá com explosões de carinho no retorno ao lar.

06 É da natureza deles tentar cheirar você. Por favor, sinta-se à vontade para cheirá-los também…

07 Se existisse algum risco do cachorro mordê-lo, eu não o deixaria se aproximar de você. Porém, não posso impedi-lo de responder a agressões, que podem ocorrer até em pensamento, seja para com ele, seja para comigo a quem devotam fidelidade. Os cachorros percebem, tenha certeza.

08 Você já tentou beijar alguém e recebeu em troca um empurrão? Se um cachorro tentar lambê-lo é porque aprova sua presença e quer demonstrar isso carinhosamente a você; lembre-se: cachorros não mentem nem fingem.

09 Aqui, cachorro recebe os devidos cuidados veterinários, alimentação sadia e cuidados higiênicos. Sua companhia é altamente recomendada pelos médicos e a maioria das doenças que contraímos ao longo da vida com certeza são transmitidas por outros humanos.

10 Há diversas situações nas quais cachorros são preferíveis a pessoas. Afinal de contas, sempre podemos confiar inteiramente em sua fidelidade e sinceridade.

11 Para alguns, eles são simples cachorros. Para mim são filhos adotivos que andam de 4 e não falam tão claramente. Eu não tenho problema em nenhum desses pontos. Você tem?

12 Volte sempre que quiser, pois será bem-vindo. Até pelo cachorro. Eles são mais sensíveis que nós, bastando se aproximar para distinguir com clareza os verdadeiros amigos de pessoas falsas.

 

Cães e gatos

Sofia é a gatinha dos meus vizinhos. Fujona, a-do-ra tirar uma pestana na minha janela, no calor do quase sol.

Eu já estava para tirar essa foto há tempos, mas nunca era rápida o suficiente, ou estava escuro demais, ou eu estava na correria diária, dava tchau e ia embora.

Hoje consegui. Não posso dizer que ela foi das mais amorosas. Quando me aproximei de seu refúgio para tentar fazer uma foto mais de perto ela abriu a boca cheia de dentinhos afiados e fez como a mulher gato no filme do Batman. Bati a foto e em retirada rapidamente.

Quando cheguei em casa, Shee estava a minha espera e eu trazia um ossinho de presente para ela, que se comportou como uma cachorrinha educada em minha ausência.

Foi a deixa para ela começar a andar pela casa a procura de um lugar para enterrar ou esconder seu precioso tesouro. Gemeu, resmungou, só faltou reclamar do assoalho de madeira. Cadê a terra? Até que resolveu subir na poltrona do escritório e começou a cavá-la. Isso mesmo, cavou a poltrona do escritório sem muita convicção e lá esperou, parada, osso na boca, devia estar pensando o que fazer. Não resisti: saquei a foto ao lado – princesa osso na boca, poltrona azul real, livros ao fundo a espera da sabedoria canina…

O que posso fazer?

Essa é minha flor. Prestes a completar oito anos de muita estripulia e farra, já apresenta os sinais inegáveis da idade: seu pelo está ficando branco no focinho, ao redor dos olhos, no queixo, nas patinhas.

Seu maior tesouro é o ossinho comestível diet que ela rói, esconde, larga, pega, rói mais um pouquinho e tenta enterrar no piso sólido de madeira, sem se dar conta que a terra ficou para trás.

Dizem que os cães escolhem o chefe da matilha e, em nossa convivência nesses anos, pude comprovar que eles – ou no caso, ela – tem seus humanos preferidos. O que nós não conseguimos ainda, eles sabem: Gostam verdadeiramente de quem gosta deles e ficam longe quando o amor não é correspondido.

O eleito de minha flor é meu irmão. Nossa! Como ela gosta dele! Não dá para descrever todas as suas reações em presença de seu eleito, mas dá para fotografar. Ela aí na foto acima preferiu o par de meias usadas por meu irmão e deixou de lado seu tesouro da semana: o ossinho, inteiro, intacto no chão. Correu pela casa, saltitou, rosnou para quem tentou tirar as meias de seu poder, fez e aconteceu. Por ela, teria enterrado no assoalho sua joia muito mais valiosa, mas foi vencida pela insistência de minha mãe que achou o fim ela preferir meias suadas ao prato de ração.

“Ela late para mim todos os dias e eu fico aqui em cima só observando.”
“Deixa, que um dia ela desce…”

Outono no Rio

Eu e Shee vagamos por um mundo em tons de cinza, bruma e cheiro de grama orvalhada, caminhamos pela estrada reta, não enxergamos seu fim, continuamos passo a passo, firmes em nosso propósito de não pararmos. Ela vai com o focinho parecendo um limpa trilhos de trem, cheirando tudo, mas firme em frente. Subimos e descemos pequenas elevações, e continuamos fortes em frente. Não tem fim essa estrada, o sol já esteve atrás de nós, já esteve por cima de nós, agora começa a baixar lá na frente, em breve virá o lusco-fusco, em seguida a escuridão, a estrada em que andamos não tem iluminação, talvez não tenha luz e continuamos em frente. É outono no Rio e eu acordo empapada em suor de tanto andar.

MPV – abril 2009

O Espelho do futuro

 

Conhecemos Mila, o espelho do futuro, uma dachs como eu, sete anos mais velha. Ela já foi da minha cor, agora está bem grisalha, se é que posso dizer assim de seu pelo quase branco. Vimo-nos através de grades, eu não lati, ela teve dificuldade para caminhar. O espelho do futuro, como minha dona falou. Eu mesma, nos últimos três anos, ganhei pelos brancos ao redor de meus olhos, em meu focinho. Deve ser o stress da cidade grande, pode ser somente o passar dos anos. Meu porte ainda altivo, enfrento outros cães, de qualquer tamanho, que latem para mim na rua. Eles não respeitam meus pelos brancos, lato de volta, ferozmente, para mostrar que só a cor está mudando, eu continuo a mesma: forte, impávida, um colosso!

Minha master resolveu sair atrás, bem atrás, de um bloco de carnaval e fomos andando de casa até a rua de mastervó. Subi o Corte com força e paramos algumas vezes para beber água. Uns gaiatos falaram para minha dona “tirar a fera da rua!” em uma referência clara a mim, acho que em tom de deboche. Nem foi comigo. Mas ela riu muito. Se eles insistissem, eu “garrava” na perna de um, só para mostrar com quantos dentes se faz uma mandíbula forte de um cão pequeno!
Bom, agora, depois da farra momesca, uma comidinha gostosa e um banho refrescante, um sono reparador que ainda faltam dois findis para o ano começar.