O nosso dindinho

Atendi o telefone de um salto e a voz do outro lado disse, chorando: “ele foi”. Entendi de imediato o que tinha acontecido, mas não sabia, ainda, o impacto de sua ausência em nossas vidas.

O marido da minha madrinha, o pai de minhas primas, o cunhado de meus pais, o meu padrinho partiu cedo, muito, muito cedo. Aos 42 anos levantou voo e nos deixou aqui em pedaços e desagregados. Isso foi há 36 anos, parece que foi ontem, sua voz ainda ecoa, a risada é ouvida pelos cantos, o sambinha, o timbau, as histórias que vivemos, tudo está presente e está dentro de nós.

Mas ele não está aqui.

Meu padrinho foi o melhor do mundo. Ainda é, porque o que ele fez, ninguém mais fará. Ele me disse certa madrugada de carnaval, quando encontrou minha pulseira perdida num chão coberto de confetes e serpentinas: “a estrela do seu dindinho pisca, mas não apaga!”

Tá lá no universo, brilhando para a eternidade, onde iremos nos reencontrar.

 

 

 

Anúncios

Fora de área

Eu queria te falar do meu dia hoje, das últimas semanas, o que tenho feito, notícias boas, sentimentos de luz, que fazem meu rosto brilhar. Eu queria te contar o que se passa em meu coração, o que tem me feito sorrir,  do trabalho, da caminhada na praia.

Como é bom ver o mar, olhar as ondas quebrando, forte, fraca, forte, fraca, crianças correndo e se esparramando na espuma, os times de garotos que chegam para jogar a pelada na areia no fim da tarde, turistas que passeiam ao longo do ano no calçadão, extasiados com tamanha beleza.

Eu queria te contar dos três navios cargueiros que passaram, ao largo, vagarosamente, apitando, enquanto eu estava lá sentada, sem vontade de ir embora. Será que seus tripulantes olhavam para nós, como eu olhava para eles? Para eles, uma visão de areia e concreto, com os prédios da orla, para mim, o mar infinito, milhas e milhas de oceano já descobertos, mas não navegados.

Hoje, vendo o mar, tive vontade de furar suas ondas, receber a energia, tive vontade de sentar na areia, como eu fazia, quando as areias ainda eram limpas, há muito tempo. Eu adoro areia. A sensação de pisar nela e afundar o pé, de ter mais trabalho para caminhar, vencer os metros que separam o calçadão da água. E depois do mergulho, esperar secar em pé, com rosto escondido do sol e sentar na areia, senti-la embaixo de mim. Mas estava frio.

Agora, é esperar o verão, chegar do trabalho com a luz do dia, trocar de roupa, caminhar até a praia, molhar os pés e os pulsos, jogar água na nuca e mergulhar no mar, me soltar, me embrulhar nas ondas e deixar o espírito criança surgir e tomar conta de mim. Voltarei com a alma lavada.

 

Eu queria te falar tudo isso, mas você estava fora de área.

Papai

Beijei sua testa ainda quente, seu cabelo carregava o perfume do dia anterior, segurei sua mão já sem a aliança, olhei para você deitado e não acreditei. Como não acredito até agora. Mamãe chorava em ondas, meu irmão telefonava com os olhos vermelhos. – Ele morreu… Como assim? Não foi isso o combinado… Foi diferente, fizemos planos, estávamos no início da execução, e agora? Continuaremos sem você, sem sua graça, sua risada, sua voz, sua presença. Que dor indescritível. Só quem já passou por ela, sabe.

Deitei a cabeça em seu ombro enquanto vários amigos chegavam para acreditar, para ajudar, para abrir e fechar portas. O médico chegou, olhou de longe para você, atestou qualquer coisa, já não fazia diferença. A família chegou e aqui está. Levaram você para uma sala, nos levaram para a mesma sala e nosso espírito ardeu com o seu corpo. Você voltou para Niterói, como pediu, nós retornamos à casa vazia, sem você. Desde então, comemos suas empadinhas, bebemos seu vinho, olhamos seus retratos, ouvimos sua voz gravada em vídeos caseiros. Desde então, rezamos para que você esteja em paz, tentamos ficar em paz, tentamos falar palavras doces uns para os outros, quando o que desejamos mesmo é mandar tudo à merda. Eu sei que você não gosta de palavras chulas, mas o momento pede. O táxi não quer parar? Vai à merda. O jornal encrencou? Merda. O copo partiu? Merda. Milhares de providências a tomar? Merda. O vizinho reclamou? Merda. Falamos alto? Esse pede a palavra que você não gostaria de ler, então não escrevo. Mas está subentendida. Toda noite, a partir da hora em que você chegaria em casa, vem alguém e nos leva para longe ou nos faz companhia, um revezamento provavelmente articulado por você. Mamãe, abalada, reclamou: – Seu pai morreu e parece que estamos em festa! A tristeza que nos assola é tamanha que só o atordoamento alcoólico nos permite dormir algumas horas a cada dia. E quando abro os olhos no dia seguinte, não acredito, fecho de novo, gemo baixinho e vem aquela onda de embrulho no estômago. O mais estranho de tudo é olhar as pessoas na rua, alheias ao nosso sentimento de perda e ver os sorrisos, ouvir pedaços de conversas, perceber que a vida continua para elas, os blocos batucando, o Flamengo campeão, tudo isso, que não é pouco, é quase uma ofensa pessoal à nossa dor. Hoje vamos vencer mais um dia, vamos nos despedir, novamente, de você. Acho que a cada dia, iremos nos despedir um pouquinho de você, já que você não estará sentado na cabeceira, não dará sugestões, não estará presente para ver os netos crescerem. Dizem que nós nos acostumaremos com sua ausência, mas a saudade só crescerá. Não é um prognóstico positivo, uma vez que a saudade já é imensa. Vamos. Um dia de cada vez.

O dia depois de amanhã

Será a mesma coisa no dia depois de amanhã e novamente mês que vem, quando não poderemos estar em sua presença. Entra mês e passa dia e as lembranças de outros meses e outros dias puxam um trem imaginário de momentos que, de tão bons, divertidos e felizes, deixam uma sensação de infinito bem-estar, quando passam pela minha estação. Um objeto, uma fotografia, um cheiro antigo, um gosto perdido no tempo. É sempre hora de brindarmos a você que nos ensinou tanto.
Semana passada, assistindo à final do tênis nas olimpíadas conversei com você. Falávamos sobre elegância, comparamos a fleuma britânica com as garrafadas brasileiras em copa distante no tempo. Os dois extremos são características das duas culturas, mas bem que poderia haver um meio termo. Ficamos desapontados porque nosso “queridinho” não levou o ouro, mas é tão bonito ver inglês mostrando certa emoção que até valeu. Comentei sobre a sua elegância e você ficou meio envergonhado, mas com aquele sorriso de quem concordava e rimos muito quando lembramos aquela vez na praia do Meco, em que perdemos você no restaurante para encontrá-lo elegantemente sentado à mesa de seus novos amigos provando caracóis, deliciosos caracóis. Somente algum tempo depois é que fui aprender que mesmo filando caracóis você era elegante. E simpático. Ninguém resistia ao seu jeito simples de ensinar as melhores coisas da vida. No “bunda de fora” comendo casquinha de siri com chope na pressão ou no Botín, comendo coração de alcachofra com pata negra. Na forma em que você pedia o carro ao manobrista ou ensinava a calcular a resistência dos materiais. No jeito em que pedia para ler em voz alta para nós Eça, Saramago, Jorge Amado, Pedro Nava ou o Garfield. Na forma de torcer por um ou por todos os brasileiros. Elegante sempre, mesmo gordão. Nessa hora, você olhava para mim muito admirado e perguntava: “quem é gordão?” e eu caía na gargalhada.
Feliz dia porque todos são seus.

300 dias sem ele – final

Vi ontem, dentro da Travessa, a reedição do livro que você queria. No meio de tanta capa diferente de livro novo, meu olhar caiu justo nele. Abri e li a explicação de porquê ele ficou tanto tempo fora de circulação, já que a autora está viva e sua coleção foi renovada. Era mesmo o que eu imaginava. Chorei com o livro na mão. Difícil mês, pior mês, mesmo entre festas, danças, amigos e fotos em que você não aparece.

A festa da Gabi de encerramento de ano no colégio foi alegre, eu acho que você viu. Saímos de lá, mamãe pediu para comprarmos seus bolinhos de camarão com catupiry no Bracarense, fui com Pedro no Pavelka, quase seu circuito completo. Quando fui deixá-los em casa, aquela chuva de alagar e eu contei para seus netos sobre o dia em que Leandro e eu fomos resgatá-lo na praça da Bandeira, lembra? Você e sua pastinha na mão, o carro afogado no canteiro. Eles riram muito da história.

Difícil mesmo foi a formatura do Pedro. Turma 93, nosso querido está agora no ensino médio, nomenclatura nova para o antigo científico. A missa foi bonita. A entrega dos certificados foi emocionante. Como é que você perdeu isso? Na volta para casa, mamãe quis parar no Real chopp, para os famosos bolinhos, e eu só parei de chorar no dia seguinte.

Ontem, entre amigos frequentes, Búbi comentou que você comprava os ingredientes no sábado e telefonava para eles: “Como é? A que horas chegam? Já comprei tudo.” Bal, Mi e Vivi, quase em uníssono, disseram que queriam ter conhecido você.  Meu coração silenciou.

E no fim, todos dizem que o tempo ajuda, que a vida deve continuar (e continua, mesmo que não desejemos), há coisas a fazer, ainda há sorrisos a dar, há causos a relatar, mas não adianta apressar: de nossa dor sabemos nós.

Babaya, feliz ano novo. Haveremos de nos encontrar um dia. Fique tranquilo que não estou com pressa. Estou só com muita saudade.

300 dias sem ele – Parte 3

“Perene flui a interminável hora / Que nos confessa nulos. No mesmo hausto / Em que vivemos, morreremos. Colhe / O dia, porque és ele.” – Fernando Pessoa, meu ídolo depois de você. Minha bíblia, meu muro de lamentações, meu céu estrelado.

Junho foi cansativo, aborrecido, estressante. Julho trouxe a família do Norte e do Sul, para as férias que você combinou com tanta vontade. Mas você não estava lá. No primeiro fim de semana, aniversário da Búbi, fomos os quatro, com Gabi, Pedro ainda estava em aulas. Deixamos Shee hospedada com Zizou. Mamãe estava triste e deslocada, percebia-se que ela queria estar em qualquer lugar, menos lá. No entanto, foram dias ensolarados e noites anestésicas, em que nos unimos mais e tudo foi superlativo. Você teria adorado o sucesso de sua neta e o entrosamento de seu neto, em férias de muita diversão, com primos que se encontram a cada três anos. Tantas foram as histórias, que não cabem aqui. Estão em nossa memória e nas fotografias. A família continua adorando tirar fotografias.

No segundo fim de semana mamãe e Shee ficaram no Rio. Pedro foi. O dia 20 foi choroso. Seriam 49 anos de casados que você e mamãe não completaram juntos. Todos dizem que ela tem estado bem, e eu também penso assim na maioria das vezes, e em outras vezes tenho a certeza que é você ajudando. Só pode ser. Após 54 anos juntos, como poderia aguentar o rombo que sua partida repentina abriu? No fim das férias, fizemos um jantar aqui para quase toda a família, capitaneado por mamãe, que foi maravilhoso. Renatinha passeou pela casa, querendo sentir todos os seus cantos. Mas você não estava. Sua fotografia, sua poltrona, seu lado da cama, sua caricatura na parede, tudo gritava você. Foi um jantar lindo.

Quando setembro começou, já imaginamos o último dia. O seu dia. O dia mais animado e comemorado do ano. Como seria passar dia 30 sem você? Resolvemos que estaríamos juntos, celebrando a nossa família, como você iria querer, como tantas vezes fez. A grande diferença, além de sua ausência, foi o telefone que não tocou. Todos aqueles milhares de telefonemas que, muitas vezes, interromperam nossos jantares e me deixaram irritada, já que você fazia questão de atender a todo mundo, não interromperam nada dessa vez. Você não estava aqui.

Em setembro, mês de bienal do livro, quantas vezes fomos juntos, lembra? Fui duas vezes, com os amigos da a-pós-calipse, Bal queria receitas e mais receitas, Mi conhece todo mundo, mas todo mundo mesmo, Vivi tem o dedinho mágico para encontrar soluções. Pedro foi para o Rock in Rio e Gabi assistiu pela TV conosco em duas ocasiões, propriamente vestida: na primeira noite, nos fantasiamos de heavy metal. Cantamos e dançamos e rimos e brincamos. Luíza me chamou para ir com ela no dia 29, mas não tive coragem. A véspera do seu aniversário foi pior do que a data em si. Acho que todas as vésperas foram piores, porque nos dias significantes estávamos tão preocupados em não desapontá-lo aí, onde você está, que tentamos fazer direito. Sempre rola uma lágrima aqui e ali, mas os sorrisos estão mais frequentes. Na segunda noite de farra de Rock in Rio, o seu aniversário, combinamos de jantar juntos e Pedro, o seu neto tão elegante e carinhoso, perguntou se queríamos que ele deixasse de ir aos shows para vir para cá. Imagina só, sente o que você não está vendo. Búbi, Gabi e eu brincamos de flower power e vimos os shows pela TV. Leandro brindou conosco e com sua foto. Pensamos muito em você.

Em outubro, seu neto completou 15 anos. A última vez que mamãe e eu pegamos a trena, ele media 1,82m. Você adoraria vê-lo cada dia mais bonito e alto. E estudioso, e cordato, e carinhoso, e irônico. A piada dele não é gratuita, é inteligente. O jantar dele foi o início de um tempo menos pesado. Álvaro e Rico, presentes o ano inteiro, não faltaram a esse momento. No mesmo mês, Lygia fez 80 anos em uma festa regada a bom humor e muita disposição. Ela disse que você a ajudou na organização do evento. Sentiu sua presença todo o tempo. No fim, as palavras de cada filho tocaram fundo e foi impossível segurar a emoção.

Novembro foi um mês de sorrisos, encontros com amigos e festas dançantes. Muitas fotos comprovam nossos pequenos momentos felizes. Mamãe e eu rimos por muitos motivos, pequeninas bobagens de uma convivência diária. Ela decidiu que todas as vezes em que for cozinhar carne, separará um pouquinho sem tempero e cozida no micro-ondas para Shee. Resultado: Ganhou uma sombra. Shee ouve mamãe na cozinha e corre para lá.

Então, chegou dezembro. Dezembro sem você.

300 dias sem ele – parte 2

Encontrei, e ainda encontro, pedacinhos de você por toda a casa. É como se tivesse feito de propósito, para que não houvesse chance de esquecê-lo. Bem diria aquela nossa piada interna “mas isto é uma bstéira, senhor engenheiro!” (em sotaque português). Não há dia ou momento que não pensamos em como seria bom se você estivesse aqui. Li um trecho do Eco que você, com certeza, pediria: “Filhinha, copia pra mim?”. Copio: “Eu não sei, certamente hoje as pessoas veem muita televisão, e existem indivíduos de risco que não veem nada além de televisão, assim como existem indivíduos de risco que gostam de injetar substâncias mortais na veia”. Quando li o trecho, olhei para trás porque escutei a sua risada, Umberto Eco colocando no mesmo cesto gente que assiste muita TV e viciados em drogas injetáveis. Você teria rido. Você riu.

Fevereiro e março esgotaram nossas lágrimas e nossas forças. Não injetamos drogas, mas a TV não descansou um instante, falando para as paredes, enquanto tentávamos esvaziar a cabeça repleta de listas de providências que, se foram diminuindo com o tempo, ainda resistem através de pessoas surdas à nossa dor e incompetentes para o trabalho. Esvaziamos seus armários e algumas estantes. Calma, fique tranquilo, os livros que foram dados não serviriam a ninguém aqui e ajudaram uma moça a começar vida nova. Eu sei que dessa parte você gostou. Sempre foi o seu forte, ajudar alguém. Sempre ajudou. O rapaz das frutas no sinal, que chorou em meu ombro, o manobrista, que chorou em seu ombro sem vida, o antigo porteiro, que liga para saber como estamos, todos que tiveram a sorte e o privilégio de conviver com você.

O primeiro aniversário foi logo o de mamãe, dez dias após sua partida. Encontramos a sua anotação do presente, fomos até a loja, contamos a história e as atendentes não seguravam a emoção. Na reunião familiar, mamãe, consumida por sua ausência, reclamou: “Seu pai morre e nós damos festa? O que vão pensar?” Na verdade, naquele momento, não existiam os outros, que pensassem o que quisessem. E não era festa, era atordoamento.

No carnaval tardio deste ano, tranquei-me em casa com uma pilha de livros e filmes. Fechei janelas e ouvidos, não queria saber daquela alegria de rua que ofendia minha dor. Sandra me obrigou a terminar a tese, que eu havia desistido de concluir, e tive de desistir de desistir. Pelo skype, palavra por palavra, ela leu, corrigiu, incentivou, puxou. Dediquei-a a você e, um dia, talvez, possa transformá-la em livro. Marcia empacotou minha casa, contratou o frete, fez minha mudança e, quando acordei, nossa sala tinha virado um imenso depósito de caixas e móveis. Levamos um pouco de tempo para arrumar tudo e hoje, que está tudo arrumado, eu não sei onde está nada. Mas também não importa, eu só queria saber onde está você.

Em abril, no aniversário do Leandro, Búbi fez uma reunião surpresa na casa de amigos, todo mundo sabia, menos o seu menino. Pedro e Gabi pregando peça no pai para levá-lo ao local foi tão engraçado. E ele nem desconfiou. Quando chegou e nos viu, porque mamãe também foi, ficou bem surpreso. Que mesa bonita ela arrumou, quanto carinho e quanto amor. Três semanas depois chegou o meu. Será que não dava para pular do dia 1 para o dia 3? Mamãe achou que não dava e começou a fazer uma lista para o jantar. Tudo o que ela sugeria, eu dizia não, não quero, não gosto. Na verdade, eu não queria nada, mas já que iria acontecer, fizemos um jantar em família. Só família, quem veio sabe. Foi o primeiro em que tiramos fotos. Tiramos, não, ganhamos fotos. Nossa família cresceu, com a chegada de amigos com quem você teria adorado conversar.

Maio é um mês repleto de datas significativas, dia das mães, os aniversários do Sul, Gabi no fim do mês. O mês se mostrou interminável, entre os telefonemas, encontros, noites reunidas, novidades que você não viu, notícias que você não soube, momentos marcados pela sua ausência. Ausência. No Houaiss, a primeira definição de ausência é “afastamento temporário de alguém do domicílio, dos lugares que frequenta etc.” A palavra que não completa nossa sentença é “temporário”. A sua partida não é temporária, a nossa saudade não é temporária, o nosso amor por você não é, nunca foi temporário.

E, no meio de tanta dor, julho chegou, trazendo a família toda para o Rio, após tantos anos, para o encontro que você estava planejando com tanta alegria. Só não ficou para ver.