Os Esportes e Eu

Desde as olimpíadas de Montreal, em 1976, eu não acompanhava os jogos com tamanho interesse, independente da performance da delegação brasileira.

Tenho uma cultura de torcedora, não necessariamente de apreciadora de esportes em geral. Quando o time, a cidade, o estado, o país estão representados em algum esporte, pára-se para torcer. Bem diferente de apreciar o esporte por sua capacidade de encantamento. Só o tênis escapa. – Apreciadora.

Em 1976, no início da adolescência, acompanhei os jogos olímpicos de forma obsessiva, numa tv ainda em preto e branco, durante minhas férias em Friburgo, muito motivada pelo desempenho dos ginastas, que vinham de recantos escondidos atrás da Cortina de Ferro. – Apreciadora.

Em 1977, assisti ao vivo, levada por meu pai, aos primeiros passos, ou melhor, passes, do vitorioso vôlei brasileiro, no Maracanãzinho, como torcedora de muitas gerações de atletas brasileiros, que venceram todos os campeonatos dos quais participaram. Torcedora e Apreciadora. Até hoje.

A partir de 1980, também como torcedora, influenciada pelo namorado, passei a acompanhar o Circuito da Fórmula 1, que perdeu a graça, para mim, com a morte prematura de Senna em 1994. Só voltei a achar graça este ano, com Felipe Massa em bons desempenhos. – Torcedora.

Com o futebol, tive meus dias de amor e de horror. Mas sempre como torcedora. Hoje em dia, só a Copa do Mundo ainda me motiva a passar noventa ou mais minutos diante da tv. Estádio, nem pensar, já perdi a conta de quantas vezes fui assistir ao Flamengo e à Seleção no Maracanã e não tenho mais disposição de pegar chuva ou sentir calor e ainda ficar na dúvida do lance, quando se vê muito mais confortavelmente e com certeza no replay, em casa, sentada na poltrona preferida. Totalmente Torcedora.

Nos jogos de Pequim, seduzida pela capacidade de superação dos atletas, assisti a várias modalidades do atletismo, acompanhei a natação, as ginásticas, alguns jogos do tênis, os saltos ornamentais, o futebol e o vôlei. Outros não vi, ou porque não conseguia ficar acordada, ou não passava vt nas horas em que eu estava disponível, ou simplesmente não foram transmitidos pelos canais que tenho disponíveis.

Desta vez, em Pequim, lembrei-me da sensação, de trinta e dois anos atrás, de assistir à magia de alguns poucos que, com suas pernas, braços, cabeças, giros, saltos, braçadas, fazem um belo espetáculo e triunfam após esforço e muita abnegação. Apreciadora, com pitadas de Torcedora.

MPV – agosto 2008

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