Manuel Bandeira, Rio de Janeiro

Louvo o Padre, louvo o Filho

E louvo o Espírito Santo.

Louvado Deus, louvo o santo

De quem este Rio é filho.

Louvo o santo padroeiro

– Bravo São Sebastião –

Que num dia de janeiro

Lhe deu santa defensão.

Louvo a Cidade nascida

No morro Cara de Cão.

Logo depois transferida

Para o Castelo, e de então

Descendo as faldas do outeiro,

Avultando em arredores,

Subindo a morros maiores

– Grande Rio de Janeiro!

Rio de Janeiro, agora

De quatrocentos janeiros…

Ó Rio de meus primeiros

Sonhos! (A última hora

De minha vida oxalá

Venha sob teus céus serenos,

Porque assim sentirei menos

O meu despejo de cá.)

Cidade de sol e bruma,

Se não és mais capital

Desta nação, não faz mal:

Jamais capital nenhuma,

Rio, empanará teu brilho,

Igualará teu encanto.

Louvo o Padre, louvo o Filho

E louvo o Espírito Santo.

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