O silêncio da festa

Encontramo-nos no início do mês e fez-se o riso. Quatro carros em caravana desbravaram estradas esburacadas em dia de sol frio para os abraços prometidos, as juras de eternidade, os lamentos da saudade.

Mantive-me afastada dos preparativos para o reencontro familiar após três anos de separação porque não conseguia imaginar como seria a festa que sempre foi, com a ausência de quem sempre esteve. Encolhi-me em meu canto escuro e aguardei, com medo, o dia planejado. Subestimei a vocação para felicidade de minha própria gente.

Foram dias e noites sublimes, repletos de presença nas ausências que sentimos, foram o riso frouxo, a bobagem, a camaradagem, a atenção com o outro, a ajuda, a música e a dança. Foram dias de sol em nosso ano invernal, foi a cantoria, foi a comilança, foi a mágica que sempre nos manteve juntos e ultrapassou obstáculos, desde o início de nosso tempo.

O nosso tempo que começou lá atrás, com muito amor, batuque e crianças correndo, cada uma de castigo em um quarto, banhos de piscina ao entardecer, praias estorricadas pré-filtro solar, namoros e casamentos, a estrela que só piscava até o dia que apagou precocemente e nos deixou juntos para a continuação. Muitos quilômetros a nos separar, pá, tanto mar, tanto mar, mas a festa que aprendemos a fazer é bonita, é bonita e é a vida.

Já sinto saudades de nós.

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3 pensamentos sobre “O silêncio da festa

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