Interpretação de Texto, de Vida

Quem, na escola, tirou nota máxima em interpretação de texto? Quem aprendeu a pensar com os professores, descobriu, desde cedo, que existem entrelinhas nos textos da vida?

Quem pode afirmar que o claro é branco, não é bege, ou cinza, ou amarelo? Quem sabe que a luz pode ser sol, lâmpada, vela, descobrimento? Quem percebe que a iluminação não é somente o dia claro, mas também o que nos abre caminhos e nos faz ver o que estava escondido? Estava escondido, ou a nossa percepção era falha?

O quanto é muito? Muito amor, muitas saudades. O que quer dizer isso para você? Muito amor é fazer tudo e até mais por quem se ama? Mesmo em discordância? Mas é que eu amo muito… Então me dou em excesso, mas quanto é excesso? Ou dou menos. Mas quanto é menos? E menos que o quê ou quem?

Muita saudade é pensar três vezes por dia, ou três vezes por ano no objeto da falta? Se penso três vezes por dia é porque me sobra tempo e três vezes por ano porque o tempo é escasso? Mas se penso três vezes por dia um milionésimo de segundo e três vezes por ano passo vinte e quatro horas pensando? Quando é muito e quando é pouco? Quem interpreta de quê forma?

Quantos caminhos diferentes podem derivar de uma única frase? Muitas vezes perguntamos qual era a intenção do autor ao escrever ou dizer aquele texto. Mas já nos perguntamos qual era a intenção do leitor ou ouvinte?

Cada um de nós tem somente uma intenção quando nos comunicamos? Quantas vezes dizemos algo, mas na verdade queremos falar outra coisa? E quantas vezes dizemos aquilo mesmo que queremos, mas chega de forma deturpada ao ouvido do outro? O que é deturpado? É quando eu falo uma coisa e o outro entende errado, ou é quando o outro entende errado o que falo? É quando falo errado e o outro entende de sua maneira? É diferente? É a mesma coisa? O que eu quero dizer?

Qual a intenção no momento da fala e qual a intenção no momento da escuta? Por que tantas vezes temos que explicar o que queríamos dizer? É porque dissemos errado, ou o outro entendeu errado? Para quê e por que tantos ruídos na comunicação?

Por favor, alguém me ajude, Freud, Shakespeare, Nietzsche, McLuhan, Chico!

MPV – julho 2008

Foto: Retrato de William Shakespeare
Anúncios

Comente aqui

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s