90 minutos

Quando me avisaste, “chegarei amanhã”, comecei a pedir: “céu, não chora”. Queria que visses o Rio em sua beleza plena de dezembro. Queria que fosse um dia luminoso, ensolarado, com a quentura dos trópicos, mas não foi possível. Choveu um pouquinho. Fui ao teu encontro, vi teu mesmo sorriso tímido e ouvi tua voz mais calma. No entanto, noventa minutos passaram voando em nossa conversa sem ecos de gerúndio e quanto mais falávamos, menos dizíamos. Esqueci de te perguntar qual a música que ouves agora, como é o nome daquela praia na foto, quem são teus amigos mais chegados, o que lês, de que filme gostas, qual será o título do livro que ainda não escreveste. Não contei de meus amigos, do retorno de momentos alegres, dos meus gostos. Falamos de aviões, de contratos, editoras e carnaval. De vida longe e, muito rapidamente, de vida vivida. Falamos de saudade, que me fez sentir mais saudade. Pressa, pressa, pressa, pena. Promesteste que voltarás. Dois-três, cinco-seis, nove-dez dias. Volte. E me traga a foto da Romênia.

2 pensamentos sobre “90 minutos

  1. Cidade maravilhosa, de uma beleza que não tem paralelismo, qualquer que seja o clima, mesmo com uma fresca chuvinha para limpar o ar e uma névoa que lhe dá um aspeto ainda mais misterioso. Sem dúvida o sol lhe daria outro encanto, sol e mar se casam bem para o nosso conforto e alegria. Mas que importância isso pode ter quando encontramos amigos queridos? Estava sol ou chuva? Não me lembro, ou melhor, havia mesmo muito sol, muito calor naquele especial momento.
    Vi-te como sempre, com esses olhos profundos e teu sorriso largo e encantador como tinha visto ontem. Sim ontem, passados tantos anos, foi ontem que nos vimos em Lisboa, um grupo de amigos, amizade construída por um óptimo ambiente de trabalho, por profissionais que faziam o que gostavam e faziam com dedicação e alegria.
    Foi um minuto que passou rápido – não mais de um minuto, apesar do relógio nos querer enganar indicando uma hora e meia, pode-se lá confiar num relógio…
    Foi mesmo um minuto, em que a conversa fluiu, ganhou vida e independência, fez o que quis sem controlo nem disciplina. Como conseguir interrompê-la para fazer perguntas? Impossível, esse minuto era muito pouco para tanta vontade de comunicar, é preciso muito mais tempo para esta se distrair e momentaneamente oferecer uma pausa que permita procurar outros rumos.
    Mas foi o poder absoluto dos compromissos que, como sempre, venceram e, com alguma maldade, Interromperam este momento.
    Ficou agora o desejo que esta interrupção dure também só um minuto e talvez já amanhã, qual seja o tamanho do amanhã, possamos então tentar completar o incompletável e tenhamos então não um mas dois minutos do tamanho de muitos dias para retomarmos a navegação por este rio forte e profundo que é a nossa amizade.
    Cumprirei a minha promessa de voltar.
    Com muitas fotos
    Um beijo

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